ASPECTOS PSICOLÓGICOS DA OBESIDADE



Aspectos Psicológicos da Obesidade
     
A Obesidade é uma doença que preocupa atualmente médicos e psicólogos, e vem sendo discutida nos últimos anos com a preocupação tanto física quanto emocional desses pacientes.
 
Várias são as causas que apresentam como conseqüências a obesidade e em especial a obesidade mórbida.
 
A obesidade vem sendo estudada de forma mais efetiva nos últimos anos na busca de explicações que permitam intervenções mais eficazes no processo de emagrecimento.
 
Pesquisas realizadas nos Estados Unidos, mostram que aproximadamente 30% da população está com peso 20% acima do recomendado (Cabreira,1998).
 
No Brasil, pesquisa aponta um crescimento de 3,9% da obesidade na população adulta - 24 a 64 anos - entre 1974 e 1989, de 5,7% para 9,6% (Monteiro, 1995).
 
Sob o ponto de vista médico, obesidade é o excesso de tecido adiposo no organismo (Amaro,1979; Cabreira,1998; Morais,l900). É considerada uma doença crônica e inter-relacionada direta e indiretamente com algumas outras situações patológicas contribuintes da morbi-mortalidade como doenças cardiovasculares, osteomusculares e neoplásticas. (Cabreira 1998). Além disso e por causa disso, a obesidade é responsável por um alto custo na saúde pública.
 
A obesidade é uma enfermidade heterogênia de origem multifatorial, resultante da combinação de fatores genéticos, metabólicos, neuroendócrinos, dietéticos, sociais, familiares e psicológicos (Bettarello, 1993).
 
Vários métodos podem ser utilizados para estimar o total de gordura no corpo, mas a relação peso/altura é a medida antropométrica mais utilizada e a mais simples de obter.
 
Assim o índice de massa corpórea (IMC) é obtido pela divisão do peso (Kg) pela altura ao quadrado (Cabreira,1998; Morais,1990). Com IMC acima de 30, o indivíduo é considerado obeso.
 
Rosenbaum (1997) coloca que 90% a 95% dos pacientes voltam a engordar após o tratamento clínico da obesidade.
 
Considerando-se que apenas 5% dos casos de obesidade, tem sua etiologia conhecida ( fatores hormonais e constitucionais ), somos levados a investigar outros fatores como o psicológico.
 

A obesidade do ponto de vista psicológico:

Podemos estudar o indivíduo isoladamente, ou como um conjunto de indivíduos tomados como unidade, ou ainda de forma mais ampla, nas instituições sociais. (Bleger,1984)
 
Os dinamismos psíquicos individuais têm sido relatados com maior freqüência e mais amplamente na tentativa de responder o que a gordura representa para o obeso.
 
No enfoque clínico tradicional a ênfase está no dinamismo psíquico individual, dando relevância ao conflito, às defesas e possibilidades de solução dos sintomas, sempre em relação àquele indivíduo isoladamente.
 
O contexto sócio - cultural ao qual está inserido é levado em consideração, mas a análise centra-se no indivíduo. É o que Bleger (1984) chama de âmbito psicossocial. A literatura psicanalítica é, inclusive, bastante coincidente na maioria dos pontos que explicam a obesidade e o obeso neste enfoque clínico individual.
 
O bebê chora de fome, sente-se mal, logo que come, sente-se bem. Quando adulto, frente a qualquer aborrecimento ou tensão nervosa, come para sentir-se bem, como o bebê (Paiva,1957).
 
A mãe que relaciona comida com ser forte, poderá estar concorrendo para fixar no alimento os futuros problemas emocionais. A satisfação é além de motivo de prazer, um símbolo de segurança (Freed, apud Paiva, 1957).
 
Newburgh constatou que seus pacientes obesos, conscientes ou inconscientemente encontravam no alimento uma forma de amortecer suas emoções (apud Paiva, 1957).
 
Um adulto que não encontra satisfação na vida, rechaça o intenso desejo de afeto dos demais e se refugia nas pautas primárias de conduta, as satisfações orais. Por outro lado, seria também um desejo de amor com intensas tendências agressivas de devorar ou possuir (Alexander, apud Paiva,1957).
 
Freud em 1895, já chamava a atenção para a bulimia como um equivalente do ataque de angústia.
 
Vários autores referem o período do emagrecimento do obeso. A fixação no período oral é uma defesa contra regressões mais profundas e graves, ou seja, a adiposidade funciona como defesa ao surgimento de núcleos psicóticos (Martins, 1986; Amaro, 1979; Silva e Ribeiro, 1973; Perestrello, 1961; Paiva, 1957).
 
Para Kahtalian o excesso de peso para o indivíduo constitui-se como uma “muleta” que tem que carregar pelo resto da vida, ou seja, nele localiza-se o foco de sua angústia e dificuldades sociais, levando-o a isolar-se do meio social no qual está inserido.
 
Uma vez estabelecida a obesidade, o indivíduo passa a viver em função das dificuldades que o excesso de peso lhe traz. É nesse momento que uma série de aspectos ligados a gordura passam a incomodar o obeso. Este deixa de se expor em lugares públicos, praia, restaurantes, shopping, etc...
 
Atualmente populações inteiras estão comendo mais do que deveriam, o que deflagrou num verdadeiro surto de obesidade, deixando de ser uma preocupação da minoria, constituindo-se num problema que merece atenção, levando vários profissionais de diversas áreas a pesquisar sobre as causas da obesidade.
 
A obesidade é fenômeno de causas complexas e multifatoriais onde não só os fatores orgânicos, psicológicos, sociais e ambientais estão envolvidos no seu aparecimento. Esta passou a ser vista como uma doença que em alguns casos pode levar à morte.
 
Quando o assunto é obesidade, logo imaginamos um indivíduo que come em demasia. Isso certamente se comprova em alguns casos, mas o que leva essas pessoas a comerem em excesso, que função exerce a comida na vida dessas pessoas?
 
Desde o início da civilização, a comida ocupa um lugar de extrema importância na vida dos indivíduos. Enquanto que para algumas pessoas o comer é somente uma fonte de preservação, para o obeso é muito mais do que isto, a comida é uma maneira dele obter prazer, o qual muitas vezes ele não consegue obter de outras formas.
 
Comer excessivamente também pode ser uma forma de lidar com seus medos e frustrações, ou seja, diante de uma situação adversa, o indivíduo recorre à comida, para não entrar em contato com as angústias.
 
O que se observa em alguns pacientes, é que vão muito mais além, ou seja, a comida é vista como a substituição de um afeto, ou a gratificação que eles tanto almejam.
 
Inseridos numa sociedade onde ser magro é sinônimo de saúde e beleza, em que todos se curvam em torno da ditadura da balança, na tentativa de se enquadrarem nos ideais de beleza, o obeso mórbido é tido pela mesma sociedade como uma pessoa sem força de vontade, que leva uma vida sedentária.
 
Quando dizemos que é através do corpo que o homem se relaciona com o mundo, o obeso não escaparia à regra. Contudo, percebe-se existir um desencontro entre o mundo real e o imaginário nesses pacientes.
 
Há total depreciação do próprio corpo, uma imagem corporal distorcida, uma vez que este corpo não corresponde ao seu ideal de ego, e da sociedade. E nem sempre estar diante do espelho para o obeso é vivenciado como um momento prazeiroso, pois a seu ver, o obeso entra em contato com seu próprio “eu”, através da imagem refletida no espelho, onde o real e o imaginário se encontram.
 
Assim, diante da clara dificuldade dos pacientes obesos em lidar com a ansiedade depressiva e os sentimentos cotidianos de frustração, esses utilizam-se da comida como um recurso de busca de potência.
 
Dessa forma o indivíduo obeso, mesmo estando perfeitamente lúcido das conseqüências que a própria obesidade lhe pudesse causar quanto à sua saúde física e emocional, utiliza-se do comer para descarregar a sua agressividade, fortalecendo e reforçando sua obesidade.
 
Considerando-se todos os fatores relacionados anteriormente constatamos a importância do tratamento multidisciplinar da obesidade, onde a psicologia tem papel preponderante.
 
Fonte:http://www.neurolondrina.com.br/artigos/23-aspectos-psicologicos-da-obesidade

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