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O LADO NEGRO DA SOJA

O lado negro da soja

O lado negro da soja

Por Andrea Alves

O consumo do "grão milagroso" pode afetar negativamente a saúde?

Há mais de vinte anos ouvimos falar sobre os benefícios do consumo de soja para a saúde do corpo, e especialmente da mulher. Produtos e suplementos de soja foram largamente indicados às mulheres na menopausa como antídoto aos desconfortos desse período. A soja ficou conhecida como grande herói no combate as doenças do coração.

Mas até que ponto seu consumo é realmente benéfico e como pode afetar de forma negativa nossa saúde?
Durante 5 anos fui vegetariana e posso afirmar que o consumo de produtos de soja é um “hit” entre esta turma. É muito comum chegar a um restaurante vegetariano e encontrar por lá saladas que contenham o grão e diversos pratos com proteína texturizada de soja (pst), que para muitos adeptos da dieta naturalista se tornou a principal fonte proteica. Desenvolvi intolerância ao produto (pst), assim como a outros derivados de soja e feijões em geral. O meu organismo não se deu bem com o alimento “milagroso” e é sobre estas variantes que falaremos neste post.
A jornalista norte-americana Mary Vance Terrain, após 11 anos de vegetarianismo e largo consumo de produtos de soja, parou de menstruar e também desenvolveu intolerância digestiva, sofrendo fortemente de gases e até diarreia a cada consumo. “Não me ocorreu na época questionar a soja, considerado um protetor do coração e alimento milagroso”, conta Terrain.
Porém, estas reações são muito mais comuns do que imaginamos. Os produtos da soja podem causar problemas digestivos e desordens hormonais em mulheres e homens que o consomem diariamente e além da conta. Em alguns casos estão correlacionados ao desenvolvimento de câncer no sistema endócrino. Os estudos de seus efeitos positivos se equiparam aos negativos.
E como não soubemos desses riscos antes?
A indústria da soja alcança hoje faturamentos na casa de US$ 4 bilhões por ano, e financia boa parte das pesquisas do produto e seus efeitos na saúde humana, incluido aqueles que relacionam a menor incidência de câncer de mama e próstata nas sociedades asiáticas (especialmente Japão e China) ao consumo de produtos da soja. Ficam claros nesses estudos os benefícios do consumo da soja, como o alívio dos sintomas da menopausa, redução do risco de certos tipos de câncer e a baixa do níveis de LDL, o colesterol ruim.
Ficamos, no entanto, muito mal informados sobre a quantidade de consumo necessária e que tipo de produtos consumir. Estranho, não?
A dieta dos asiáticos contém aproximadamente 9 gramas por dia de produtos de soja fermentada, como o tofu e o missô. A soja fermentada cria probióticos, as bactérias boas que o organismo necessita para o bem-estar digestivo e bom aproveitamento dos nutrientes. Em contraste, nos Estados Unidos, por exemplo, um salgadinho de soja ou um shake contém acima de 20 gramas de proteína não fermentada de soja, o que pode causar sérias dificuldades digestivas e baixíssimo aproveitamento do que a soja tem realmente de bom. Os dados são similares no Brasil.
Como qualquer alimento, a soja pode ter benefícios em um sistema e danos em outro. Um indivíduo com sensibilidade a ela terá respostas bastante adversas. Não apenas a soja pode se tornar fonte de desconfortos, mas principalmente seu plantio, processamento e qualidade final dos produtos oferecidos no mercado. A soja pode ser um alimento funcional, mas precisamos observar como a consumimos.
Hoje a maioria da soja usada pela indústria é transgênica, ou seja, geneticamente modificada para manter altos os níveis de produtividade. Isso pode ser um grande problema, pois as pessoas podem achar que se tornaram intolerante a soja quando estão reagindo aos antígenos e bactérias não originais daquela planta.
O consumo de produtos de fonte orgânica certamente é melhor, mas não nos isenta de reações, uma vez que os grãos de soja naturalmente contêm fitoestrógenos, toxinas e antinutrientes que não podemos remover. 
Os antinutrientes da soja bloqueiam enzimas necessárias à digestão e seus fitatos bloqueiam a absorção de minerais essenciais. Isso se intensifica para os veganos e vegetarianos, que comem soja como sua principal fonte de proteína, ou para mulheres em menopausa que utilizam suplementos a base de soja.
Mas são as crianças que sofrem as maiores consequências. “Os estrogênios contidos na soja afetam o desenvolimento hormonal das crianças, trazendo danos ao crescimento corpóreo, desenvolvimento do cérebro, do sistema reprodutor e da tireóide. As fórmulas com soja também contêm altos índices de manganês, já relacionado ao Transtorno de Défict de Atenção e outras neurotoxicidades infantis”, afirma a nutricionista Kaayla Daniel, autora do livro The Whole Soy Story, sem tradução para o português. Recentemente, o Ministério da Saúde de Israel emitiu um comunicado afirmando que as crianças deveriam evitar completamente fórmulas contendo soja.
A isoflavona, fitoquímico encontrado na soja, pode imitar o estrogênio do corpo feminino, o que pode ser positivo durante a menopausa, uma vez que os níveis desse hormônio caem causando os “calorões” e outros desconfortos. Por seus efeitos nos níveis de estrogênio a isoflavona, e assim a soja, ganharam tão larga fama. Nos homens, a soja já foi demonstrada como inibidora de testosterona e desejo sexual, segundo a Dra Kaayla.
Isso tudo nos mostra que não há alimentos milagrosos. Uma dieta variada, com pouco consumo de comidas industrializadas e prioridade em alimentos frescos é sempre uma saída equilibrada para sua saúde. Ao consumir produtos de soja, dê preferência aos fermentados e orgânicos. Fecho este post com uma frase muito utilizada pelo Ayurveda, a tradicional medicina indiana:
Tudo é remédio e tudo é veneno. Depende de como você usa!
(Foto: Arquivo pessoal)

Fonte:http://disneybabble.uol.com.br/br/rede-babble/sa%C3%BAde-e-bem-estar/o-lado-negro-da-soja

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